As reais ameaças e o universo imaginário setecentista.

Após a identificação dos vários grupos étnicos que compunham a vida no Sertão Oeste de Minas Gerais e das relações travadas entre eles e a população, é possível a identificação de que o grupo considerado mais perigoso à manutenção do sistema era o de quilombolas, espalhados por vários recantos do Sertão. Para as elites e autoridades mineiras, eles precisavam ser destruídos a qualquer custo porque inviabilizavam seus projetos de civilização e de ocupação numa área importante para a existência da Capitania.

Em função desta periculosidade este grupo será analisado mais detidamente a seguir. O objetivo é a partir das imagens criadas para estes, identificar as várias formas de estruturação social, econômica, política e cultural, desenvolvidas por cada grupo de quilombos.

A vida dos mineiros do século XVIII era, no mundo real assim como no universo da imaginação, permeada pela presença marcante e às vezes aterrorizante das populações quilombolas. Estes eram quase sempre uma ameaça à segurança e à prosperidade de muitos, inclusive, da própria Coroa. Conforme mostra o documento seguinte, os quilombolas, “...não só inquietam as Pessoas, que por cartas de sesmaria intentam estabelecer com fazendas de criação e Agricultura no extenso País que compreende o referido Distrito, de que de segue não só os movimentos de embaraçarem as utilidades que resulta ao bem comum dos habitantes desta capitania mais prejuízos dos Dízimos, nos que respondem provir dar ditas criações e Agriculturas além do perigo de aumentos humano com outros fugitivos que consentem ao seu partido...”1

Assim, aos capitães do mato era exigido que fizessem “...todas as diligencias possíveis para procurar, extinguir o mais que for possível o flagelo em que se acha esta Capitania com o excessivo número de negros fugidos, sendo, públicos os roubos e impiedade que tem cometido...”2

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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1. APM COD 118 PAG 172v e 173
2. APM COD 277 pag 13

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