A preta velha e a igreja de Carmo da Cachoeira.


A 1º de julho de 1935, morreu nesta cidade, com 108 anos de idade, a preta velha conhecida por Chiquinha Temdepá. Era um dos tipos populares do lugar e nas suas conversas, bem antes de sua morte, ela costumava dizer, não sem certo orgulho, que, quando mocinha havia cozinhado para os pedreiros que construíam a primeira igreja. Ora, supondo-se que na ocasião ela tivesse entre 18 e 20 anos, pode-se calcular que a primeira capela tenha sido construída entre 1845 e 1847.

Para comprovar que esta data não está muito fora da realidade, basta compará-la com a data da última eleição para Juízes de Paz do Distrito da Boa Vista, que, como já vimos, foi realizada em 1844 e os Juízes foram eleitos para o período de 1845 a 1848. A partir de 1848 as eleições já devem ter sido feitas no povoado de N. S. do Carmo de Boa Vista e sobre elas infelizmente não possuímos nenhum documento, mas acreditamos que fossem feitas na capela do povoado, considerando-se que no tempo do Império, em vista da união entre Estado e Igreja, as eleições eram realizadas nas igrejas.

Conforme informa Mons. Lefort no "Anuário da Diocese de Campanha para 1959", a primeira igreja foi reformada e ampliada no paroquiato dos Revmos. Padre Joaquim Antônio de Rezende e Cônego Augusto Leão Quartim, isto é, entre 1873 e 1875, e teve como diretor de obras o Sr. Severino Ribeiro de Rezende. Sabemos também que a igreja, apesar de ser um templo moderno para a época, era pequeno e insuficiente para a população do distrito.

Prof Wanderley Ferreira de Rezende

trecho do Livro: Carmo da Cachoeira: Origem e Desenvolvimento.

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