Padre José Procópio Júnior em Carmo da Cachoeira

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Paróquia Nossa Senhora do Carmo sob nova guiança Editorial Sai Pe. Daniel Menezes, e assume como administrador paroquial da acolhedora cidade de Carmo da Cachoeira, em fevereiro de 2019, o Pe. José  Procópio Júnior.
"Não cabe à pedra escolher o lugar que deve ocupar no edifício. Assim também não cabe à nós criaturas ditar ao Criador o que deve acontecer em nossa vida, pois Deus é quem sabe e dispõe com sabedoria própria." − Dom Servílio Conti, IMC Como página que observa os acontecimentos neste pedaço de chão mineiro, limitado por montanhas e que, segundo o cachoeirense Padre Godinho, “todas são azuis”, registramos o remanejamento ocorrido entre padres ligados a Diocese da Campanha no ano de 2019. Entre as mudanças encontra-se a Paróquia Nossa Senhora do Carmo/Carmo da Cachoeira – MG.

Sai nosso querido Padre Daniel Menezes. Por ele continuamos a rezar e o devolvemos, entre lágrimas e a esperança de um dia tê-lo entre nós. Somos eternamente gratos e devedores. Entra, aureola…

Os negros boçais e os mulatos soberbos e viciosos.


Antonil, cuja obra foi publicada em 1711, elaborou uma tipologia dos escravos que vinham para a Colônia e mostrou cada etnia com características diversas que as tornariam mais ou menos aptas para determinados serviços. Entretanto, alguns cativos não conseguiam melhorar em nada sua natureza e permaneciam boçais durante toda a sua existência: “ ...uns mais boçais que outros...”1. Mas alguns, ainda que chegassem rudes ao Brasil, com o tempo acabavam ficando ladinos e aptos para aprenderem a doutrina cristã2 e para desenvolverem vários serviços. Mas, para ele, os melhores para quaisquer serviços eram os mulatos. O problema é que eram “...soberbos e viciosos...”3 e acreditavam ser muito valentes. As mulheres mulatas conseguiam alforrias e ganhavam dinheiro através do uso de seus corpos, utilizando assim, a vantagem da cor.

Desta maneira, pode-se perceber que para Antonil, haveria distinções entre os africanos e os crioulos. Estes eram mais socializados que os primeiros e, consequentemente, se prestavam melhor ao trabalho e ao cativeiro, embora possuíssem características muito negativas: eram soberbos e viciosos.

Manoel Ribeiro da Rocha teve sua obra publicada em 1758 e, preocupado em criar um labirinto de idéias que justificassem o tráfico e, por conseguinte, a escravidão, deixa transparecer em seu texto uma imagem do africano como sendo gentio, bárbaro, pagão, inferior, idólatra, e que só será salvo através do resgate191. No Brasil, estes africanos resgatados deveriam ser tratados pelos senhores como sendo apenas um jure pignoris, ou seja, um direito de penhor e não de propriedade. Utilizando a fórmula de Benci, Manoel Ribeiro da Rocha prossegue o texto narrando como este resgatado deve ser educado no modelo cristão.

O que se identifica em todos esses autores é que o escravo tratado não possui qualquer individualidade e nem elementos que o diferencie dos outros. A exceção é Antonil que traça algumas distinções entre as etnias, transformando-as em mais ou menos aptas a determinados tipos de trabalhos. De uma maneira geral, o que se discute nestas obras, é uma visão geral sobre a escravaria e em todos estes autores, a imagem feita sobre o cativo é sempre negativa: ele é o boçal, o bruto, a besta, o bárbaro, o vicioso, o sexualmente desregrado, o rebelde e outras colocações depreciativas. Cabe ao senhor e ao próprio cativeiro, moldar este ser e transformá-lo em um verdadeiro cristão.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.
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Um vassalo do rei suplica contra os negros de África e Guiné.
Texto Anterior: O ócio é a escola onde os escravos aprendem a ofender a Deus.


1 ANTONIL, A . J. op. cit. p. 89
2 ibidem
3 ibidem.
4 ROCHA, Manoel Ribeiro da. Op. Cit.

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