O antigo cemitério de Carmo da Cachoeira e a Casa Nova dos Rates.


O cemitério paroquial, que ficava ficava onde hoje está a Estação Rodoviária de Carmo da Cachoeira, exatamente, onde hoje é a rua Dom Inocêncio, esquina com Odilon Pereira.

Em frente a este portão existia um espaço, onde hoje está a Credivar e o ponto comercial de nosso colaborador Rogério Vilela, com uma grande e frondosa mangueira, e logo a seguir a casa paroquial.

Segundo documentos dentro do cemitério paroquial havia uma igrejinha. Assim, no mesmo conglomerado, a Casa Paroquial, a pequena igrejinha e ao seu redor o cemitério. O professor Wanderley conta:

"Consta que o primeiro cemitério que existiu aqui era apenas um cercado feito de bambús. Mais tarde fizeram um muro de taipas, substituído depois pelo muro de pedras. O local, o mesmo onde se encontra o cemitério paroquial, ampliado entre 1922 e 1924 pelo então vigário da paróquia, Revmo. Padre Teófilo Saéz, atual vigário de Campos Gerais".1

A irmã do Pe. Teófilo Saéz (1920), morou na Casa Nova dos Rates onde existia oratório e localizada um pouco abaixo da Casa Paroquial, na mesma rua Odilon Pereira, esquina com rua Domingos Ribeiro de Rezende. Nesta casa a ainda bem pequena Dionísia, moradora ainda, neste ano de 2008, numa casa próxima, servia a irmã do Pe. Saéz, auxiliando-a em pequenos trabalhos, como acompanhar o cozimento dos alimentos e na padaria existente na casa.

A Casa Noca dos Rates, e enquanto lá morava a família do Pe. Teófilo Saéz, servia de abrigo aos fiéis que vinham da zona rural e necessitam pernoitar no povoado. Esses relatos vieram através de Maria Pereora (in memorian), zeladora durante toda sua vida da Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

Ela nos contava, que ouvia de seu pai - um dos que pernoitava por lá que: "nas noites de calor e com grupo de amigos a conversar em frente a casa, olhavam para o início da rua (a noroeste) e viam fumacinha subindo". Comentavam então que eram gases vindos dos corpos ali enterrados e sendo desfeitos pelo tempo. Traziam como justificativa a grande quantidade de madeiras junto do local que serviam para transportar os corpos de seu lugar de origem até o de sepultamento. "Enterrados os corpos, as madeiras que serviram de transporte eram deixadas no próprio local".

Neste local hoje, um terreno vazio da Rua Domingos Ribeiro de Rezende "acima da casa de Manoel Antônio Rates ficava o cemitério com sua cerca de bambu, depois muro de pedras.

As tábuas ficavam jogadas no pasto do Ambrósio ao lado", conforme palavras do Sr. Geraldo, in memoriam, irmão do Sr. José da Costa Avelar (in memoriam), durante conversa com o projeto partilha. Confirmava: "muitas tábuas eram encontradas no pasto. Todas que serviram para transportar os corpos, aí enterrados".

Os "Alves Costa" confirmam o local, e dizem até ter foto deste muro de pedras, que um deles desmanchou para construir a casa, hoje existe na esquina deste ponto. Vasculhamos todas as caixas junto com a família, no entanto,não encontro-se o registro. A Gunti (apelidada por "cigana") disse que "muita coisa foi perdida".

O Projeto Partilha tem em seus arquivos uma foto. É a casa mais singela que se tem nos arquivos. Muito pequena, com seu fogão a lenha e uma porta que, para entrar, é necessário abaixar-se. Fica junto a este local. Tida (in memoriam), parente do Pe. Godinho nos contava que, jovenzinha e junto de outras jovens, às tardes de domingo ia visitar seus amigos que moravam entre a Estação e o muro de pedras. Paravam para ver o Por do Sol, sentadas no muro de pedras.

Dona Neusa Chagas, octogenária conta a mesma história. A arqueologia irá um dia confirmar ou desmentir aquilo que algumas mentes registam ou registraram. Histórias que o povo conta. Não podemos desconsiderar este precioso arquivo guardado nas mentes populares. Aí há grande sabedoria, desinteresse, respeito ao seu passado, a sua gente e a sua história. É tudo o que eles tem. É o seu tesouro. Nosso Tesouro.

Artigo anterior: A história de Campos Gerais ou Carmo do Campo Grande, nas Minas Gerais.

1 Resende, Wanderley Ferreira de, Carmo da Cachoeira, Origem e Desenvolvimento, 1975, p.27

Comentários

projeto partilha disse…
Ao ler o título, por favor fiquem atentos para o seguinte:
*a casa que aparece na foto é a antiga CASA PAROQUIAL, e não é a CASA NOVA DOS RATES;
* a CASA NOVA DOS RATES, ficava no terreno baldio situado em frente ao recém-inaugurado PSF, na Domingos Ribeiro de Rezende. É citada com próxima do cemitério, no entanto, no sentido NOROESTE dele. A Casa paroquial vista na imagem, também fica próxima, no entanto, caminha para SUDOESTE do antigo cemitério.

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