A história de Carmo da Cachoeira segundo o Circuito Vale Verde - Quedas D'Agua.


"Nossa história tem Inicio no século XVII, mais precisamente no dia 21 de julho de 1674, quando a bandeira de Fernão Dias Paes partiu de São Paulo, cumprindo o itinerário Embaú, pinheirinho, Rio Verde, Pouso Alto, Boa Vista, Caxambu, Baependi, Pedro Paulo, Ingai, Taraintuba, Carrancas, Rio Grande, Tijuca, Rio das Mortes Pequeno e Vila de São João del Rei.
Embora nem sempre coincidentes, as várias versões sobre as origem de Carmo da Cachoeira..."

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Projeto Partilha disse…
Vamos ouvir nosso mestre, WANDERLEY FERREIRA DE RESENDE. Obra: Carmo da Cachoeira: Origem e Desenvolvimento. Primeira edição, 1975. Tipografia Escola Profissional. Pouso Alegre - Minas Gerais, pág. 12 a 15. Diz o seguinte:
II
DESERTO DOURADO E DESERTO DESNUDO.

Como já ficou dito, os primeiros civilizados que pisaram o território hoje pertencente ao município de CARMO DA CACHOEIRA, foram, segundo a tradição, os BANDEIRANTES DE FERNÃO DIAS PAES LEME que se demoraram algum tempo no local ou proximidades do local onde tempos após surgia a FAZENDA DA BOA VISTA. O que não nos será possível é determinar a data exata da passagem dos bandeirantes por esta região, mas o fato deve ter acontecido lá por 1675 a 1678.
Do que por aqui aconteceu entre aquela data e os meados do Século XVIII nada sabemos com certeza a não ser os fatos narrados por Mons. Lefort no já citado "Anuário Eclesiástico da Diocese de Campanha", para 1959, isto é, a doação feita em 1752 pelo Governador da Capitania de Minas Gerais, José Antônio Freire de Andrade ao Padre José Bento Ferreira, de uma vasta área de terras que se chamou DESERO DOURADO, e estendia-se numa extensão de três léguas, começando no córrego do Palmital até o Rio do Peixe.
Mais ou menos nos meados do Século XVIII o Padre José Bento Ferreira construiu uma capela dedicada a S. Bento e deu-lhe como patrimônio parte de suas terras. O restante ficou constituindo a FAZENDA DO CAMPO BELO.
O Padre José Bento Ferreira faleceu em 1784 e somente dez anos depois de sua morte, em 1794, foi construída, pelo senhor Manoel Francisco Ferreira, a primeira casa no futuro povoado, hoje cidade de S. Bento Abade. Aquela capela, devido à piedade, ao pioneirismo do Padre José Bento Ferreira, foi durante muitos anos procurada pelos habitantes desta região para todos os atos religiosos como batizados, casamentos, enterros, etc.

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Sabemos que as terras localizadas mais ou menos a noroeste do DESERTO DOURADO e onde se encontra situado o município de CARMO DA CACHOEIRA, eram conhecidas pelo nome de DESERTO DESNUDO.
Ignoramos a razão deste topônimo. Todavia, como temos conhecimento de que, na região, ao lado de algumas florestas virgens estendiam-se também, vastas campinas, cremo que tenha vindo daí a denominação, porque realmente a zona era, até certo ponto, desnuda de matas, como também era paupérrima em caça e pesca. Tanto isto é verdade, que nunca se encontraram sinais de que tivesse existido alguma tribo de índios por aqui e sabemos que os silvícolas somente armavam tabas onde houvesse fartura de caça, pesca e frutas, de que se alimentavam.
Mas, quem habitava o DESERTO DESNUDO, na segunda metade do Século XVIII?


Três fazendas, que deveriam ser as mais antigas, sabemos que já existiam: - A FAZENDA DA BOA VISTA, que pertencia à família BRANQUINHO, a do RANCHO, há muito desaparecida, de Martinho Dias de Gouvêa e a do RETIRO, da família REIS E SILVA. Quanto ao local onde se encontra a cidade, apenas sabemos que tinha o nome de SÍTIO DA CACHOEIRA e pertencia, pelo menos em parte, aos RATTES cuja casa de residência ficava logo acima do atual matadouro Municipal e nela residiu mais tarde, até a sua morte, o senhor Adelino Eustáchio de Carvalho. Escrivão de Paz que antecedeu ao senhor José Godinho Chagas.
A respeito dos Rattes vamos transcrever abaixo os dados que nos foram fornecidos pelo senhor Ari Florenzano, no qual, mais uma vez, nos presta relevante auxílio , no afan de determinarmos, com a maior exatidão possível, os princípios de CARMO DA CACHOEIRA.
Os dados são os seguintes:
"Em 27 de janeiro de 1770, no Altar-Portátil do Padre Bento Ferreira, no Deserto Dourado, batizou-se CAETANA, filha de Cipriana Antônia Rattes, solteira, filha de MANOEL ANTONIO RATTES e MARIA DA COSTA DE MORAIS".
"Aos vinte dias do mês de junho do ano de mil setecentos e setenta e hum, na Hermida de Campo Belo, com licença do Reverendo Padre Bento Ferreira, Manoel Afonso batizou e pôs os Santos Óleos a Manoel, inocente, filho natural de Joaquina, solteira, filha de MANOEL ANTÔNIO RATTES de de MARIA DA COSTA, moradores do SÍTIO DA CACHOEIRA, desta freguesia, e de pai incógnito. Foram padrinhos Manoel Pereira de Carvalho e Maria da Silva, mulher de Francisco Oliveira Galante, de que fiz este assento, que assinei.
O Coadjutor, Manoel Afonso Custódio Pereira".
Estes dois assentos foram extraídos do Livro de batizados n. 3, de Carrancas.
No Livro n.2, de casamentos, pág. 77, encontra-se com a data de 17 de novembro de 1772, o registro do casamento de JOAQUINA MARIA DA COSTAQ, filha de MANOEL ANTÔNIO RATTES e MARIA DA DA COSTA DE MORAIS, com Manoel Batista Carneiro, filho de Luiz Pimenta e Maria Batista Pereira.
Come se vê, esta Joaquina, que em 27-01-70 era solteira mas batizava um filho, casou-se em 1772.
Ainda no Livro n. 1, de Lavras, com a data de 5 de dezembro de 1773, encontra-se o registro do batizado de João da Costa de Morais, filho de MANOEL ANTÔNIO RATTES.
Eis aí, portanto, quem eram os RATTES, moradores do SÍTIO DA CACHOEIRA, do DESERTO DESNUDO, primeiros habitantes do futuro povoado de CACHOEIRA DO CARMO, hoje cidade de CARMO DA CACHOEIRA".

JORGE FERNANDO VILELA, através de obra inédita a ser lançada com o nome de O SERTÃO DO CAMPO VELHO aprofunda o magnífico trabalho de busca e registro feito pelo PROFESSOR WANDERLEY FERREIRA DE REZENDE. Por motivo que desconhecemos deixou nosso ilustre mestre de abordar temas mais polêmicos, no entanto, no capítulo I, p.8, sob o título OS BANDEIRANTES NA BOA VISTA diz: Não é tarefa muito fácil descobrir, no fundo de um passado às vezes obscuro, a origem de povoações que nasceram e cresceram no interior do Brasil, sem que tivessem um cronista que deixasse escrita a história de seu nascimento, bem como o nome de seus fundadores. Algumas, sabemos que surgiram à beira das estradas rasgadas nos sertões e tiveram como marco inicial os ranchos de tropeiros ou aventureiros, que ousadamente penetravam o interior brasileiro, em busca de ouro ou de pedras preciosas; outras, nasceram de capelas erguidas nas fazendas antigas pelos seus proprietários, porém muitas outras apareceram, não se sabe como nem porque.
Hoje, com aprofundamento do trabalho do professor WANDICO já se conhecem muitos nomes e denominações paulistas neste território da CACHOEIRA, onde MANOEL ANTÔNIO RATES morava com a paulista MARIA DA COSTA MORAIS e sua família, no século XVIII.
MANOEL ANTÔNIO RATES, o lado patriarcal da família RATES NA CACHOEIRA DOS RATES, morador junto ao RIBEIRÃO DO CARMO, na CACHOEIRA DOS RATES, está sendo fruto de exaustiva busca pelos seus descendentes espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Cf. www.familiarattes.blogspot.com
Na página 10 de sua obra deixa um alerta: "Pois bem. Segundo tradição corrente entre os velhos cachoeirenses, FERNÃO DIAS PAES LEME, na sua penetração em território mineiro, esteve durante algum tempo na Fazenda da Boa Vista, onde deixou moradores, tornando-se assim a Boa Vista o primeiro local desta região habitado por civilizados. MAS NÃO CONFUNDAMOS ESTA FAZENDA DA BOA VISTA COM OUTRA BOA VISTA QUE, conforme o roteiro de FRANCISCO TAVARES DE BRITO, estava situada entre POUSO ALTO e CAXAMBÚ".
O PROJETO PARTILHA rende homenagens ao professor WANDERLEY FERREIRA DE RESENDE, que assistiu a revisão de sua obra com a tranquilidade e a passividade dos que estão convictos de sua realização. Não tinha dúvidas de que aquilo que deixou registrado correspondia ao fiel desenho da realidade que conhecia e respeitava. Professor, descanse em Paz. Novos documentos surgiram e serão apresentados em O SERTÃO DO CAMPO VELHO, no entanto, nenhuma de suas referências pessoais foram derrubadas pelos documentos analisados, tanto pelo autor, quanto pelo Projeto Partilha.
Deus continue iluminando sua trajetória, prof. WANDICO.

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