Padre José Procópio Júnior em Carmo da Cachoeira

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Paróquia Nossa Senhora do Carmo sob nova guiança Editorial Sai Pe. Daniel Menezes, e assume como administrador paroquial da acolhedora cidade de Carmo da Cachoeira, em fevereiro de 2019, o Pe. José  Procópio Júnior.
"Não cabe à pedra escolher o lugar que deve ocupar no edifício. Assim também não cabe à nós criaturas ditar ao Criador o que deve acontecer em nossa vida, pois Deus é quem sabe e dispõe com sabedoria própria." − Dom Servílio Conti, IMC Como página que observa os acontecimentos neste pedaço de chão mineiro, limitado por montanhas e que, segundo o cachoeirense Padre Godinho, “todas são azuis”, registramos o remanejamento ocorrido entre padres ligados a Diocese da Campanha no ano de 2019. Entre as mudanças encontra-se a Paróquia Nossa Senhora do Carmo/Carmo da Cachoeira – MG.

Sai nosso querido Padre Daniel Menezes. Por ele continuamos a rezar e o devolvemos, entre lágrimas e a esperança de um dia tê-lo entre nós. Somos eternamente gratos e devedores. Entra, aureola…

Doenças e deformações nos escravos mineiros.


De um total de 72 casos relatados (no anúncios do "O Universal"), 21 eram portadores de algum tipo de má formação, outros 21 indivíduos possuíam doenças de caráter traumáticas. Vejamos inicialmente o primeiro caso: a má formação normalmente, era percebida em partes do corpo que possuíam algum tipo de defeito, como por exemplo, pés, braços, joelhos ou pernas tortas ou arcadas, que não poderiam ser associadas a qualquer tipo de trauma. Eram características que remetiam a problemas durante a gestação ou adquiridas com o passar do tempo ao exercerem atividades prejudiciais à saúde.

As doenças traumáticas, ou seja, as que acarretavam feridas, cortes ou depois, as que deixavam cicatrizes ou os sinais das feridas, também perfizeram um total de 21 casos, demonstrando o nível de periculosidade das atividades exercidas. Estas marcas apareceram equilibradamente por todo o corpo do cativo.

A seguir, com 10 casos, aparecem as doenças infecto-contagiosas. Destas, apenas um caso foi de contaminação por parasitas, a sarna. Todas as demais foram contaminações pelo vírus Poxvirus variolae, ou seja, o vírus causador da varíola, conhecida também como Bexiga. Seu contágio se dá de forma direta, pelo suor, espirro, enfim, as secreções de um doente podem causar o contágio em outra pessoa que não esteja imunizada por vacinas. Como não havia nenhum tratamento específico para este mal, a solução encontrada era manter o doente afastado dos demais membros sadios a fim de evitar o contágio. Isto quase nunca era conseguido devido às condições de vida da população que eram muito precárias. Desta forma, a varíola encontrava um excelente campo para se disseminar. É significativo o número de escravos que apareceram nos anúncios referidos como portadores de varíola ou como bexigosos ou ainda como portadores das marcas deixadas pela doença, pois os que a adquiriam, caso conseguissem sobreviver, ficavam marcados pelo resto da vida.

Os demais tipos de doenças, ou seja, as reumáticas, as tumorais, as disfunções óticas e as psicológicas, foram minorias. Isto não significa de maneira alguma que os escravos fugidos não possuíssem estas doenças. Apenas indica que como estes anúncios eram um mecanismo usado para identificar escravos fugidos, era necessário que o senhor de cada um, fornecesse informações que tornassem possível a sua captura. Assim, dizer que um escravo tinha problemas na coluna ou que enxergava pouco ou que tinha um tumor em alguma parte do corpo, de pouco ou nada adiantaria a quem tentasse reconhecê-lo nas ruas. Por este mesmo raciocínio, pode-se entender o porque de um número tão expressivo de anúncios informando sobre o estado dos dentes dos fugitivos,11 casos.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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Escravos com bexigas, bexiguentos ou bexigosos.

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