Padre José Procópio Júnior em Carmo da Cachoeira

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Paróquia Nossa Senhora do Carmo sob nova guiança Editorial Sai Pe. Daniel Menezes, e assume como administrador paroquial da acolhedora cidade de Carmo da Cachoeira, em fevereiro de 2019, o Pe. José  Procópio Júnior.
"Não cabe à pedra escolher o lugar que deve ocupar no edifício. Assim também não cabe à nós criaturas ditar ao Criador o que deve acontecer em nossa vida, pois Deus é quem sabe e dispõe com sabedoria própria." − Dom Servílio Conti, IMC Como página que observa os acontecimentos neste pedaço de chão mineiro, limitado por montanhas e que, segundo o cachoeirense Padre Godinho, “todas são azuis”, registramos o remanejamento ocorrido entre padres ligados a Diocese da Campanha no ano de 2019. Entre as mudanças encontra-se a Paróquia Nossa Senhora do Carmo/Carmo da Cachoeira – MG.

Sai nosso querido Padre Daniel Menezes. Por ele continuamos a rezar e o devolvemos, entre lágrimas e a esperança de um dia tê-lo entre nós. Somos eternamente gratos e devedores. Entra, aureola…

As marcas características dos negros africanos.


Um outro elemento que pode ser percebido nos anúncios do jornal “O Universal” remete aos aspectos culturais dos fugitivos. Dos 106 escravos anunciados, 24 foram descritos com algum indício que nos permitiram identificar determinados itens culturais. Deste universo de 24 escravos, 14 eram africanos que possuíam traços distintivos de sua cultura de origem marcados definitivamente nos corpos: 7 tinham nos rostos, peito e braços, as marcas de suas nações; 5 possuíam os dentes limados ou abertos, 1 possuía um furo no lábio superior e 1 tinha as orelhas com furos.

Rugendas1 foi um dos artistas que, preocupado em registrar as diferentes etnias dos escravos no Brasil, acabou por identificar também as suas marcas étnicas. Entretanto, nos seus relatos textuais propriamente ditos, não se encontra qualquer referência. As marcas corporais são elementos importantes em diferentes culturas. São elas que estabelecem o sentimento de pertencimento a este ou aquele grupo. E, mais ainda, as marcas servem para registrar a memória do grupo. O corpo assume assim, o espaço onde são inscritos elementos tribais importantes e que não devem ser esquecidos.

De acordo com Clastres, “... A marca é um obstáculo ao esquecimento. O próprio corpo traz impresso em si os sulcos da lembrança. O corpo é uma memória...”2

Para Mendes3, os “... Pretos da África... na sua menoridade, e ainda já adultos, fazem pôr por enfeite, e sinal em as suas faces muitos lanhos...”4. Ainda segundo este autor, “... Esses ditos lanhos não só tem por fim o enfeite que eles presumem; mas também são indicativos da família, do Reino, do Presídio, e do lugar onde nasceram e são moradores...”5

Os anúncios do jornal com este tipo de descrição que priorizava os aspectos africanos foram muito comuns, em parte porque era uma maneira eficiente e rápida de localizar e reconhecer um fugitivo.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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1 RUGENDAS, J. M. Op. Cit.

2 CLASTRES, Pierre. Da tortura nas sociedades primitivas. In: A sociedade contra o Estado. Rio de Janeiro: Francisco Alves Ed. 1990. p. 128
3 MENDES, Luis Antonio de Oliveira. Memória a respeito dos escravos e tráfico da escravatura entre a Costa da África e o Brasil. (1790). Porto: Publicações Escorpião. 1977.
210 Ibidem p. 28-29
211 Ibidem

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