Padre José Procópio Júnior em Carmo da Cachoeira

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Paróquia Nossa Senhora do Carmo sob nova guiança Editorial Sai Pe. Daniel Menezes, e assume como administrador paroquial da acolhedora cidade de Carmo da Cachoeira, em fevereiro de 2019, o Pe. José  Procópio Júnior.
"Não cabe à pedra escolher o lugar que deve ocupar no edifício. Assim também não cabe à nós criaturas ditar ao Criador o que deve acontecer em nossa vida, pois Deus é quem sabe e dispõe com sabedoria própria." − Dom Servílio Conti, IMC Como página que observa os acontecimentos neste pedaço de chão mineiro, limitado por montanhas e que, segundo o cachoeirense Padre Godinho, “todas são azuis”, registramos o remanejamento ocorrido entre padres ligados a Diocese da Campanha no ano de 2019. Entre as mudanças encontra-se a Paróquia Nossa Senhora do Carmo/Carmo da Cachoeira – MG.

Sai nosso querido Padre Daniel Menezes. Por ele continuamos a rezar e o devolvemos, entre lágrimas e a esperança de um dia tê-lo entre nós. Somos eternamente gratos e devedores. Entra, aureola…

106 escravos procurados no jornal "O Universal".


As imagens que a sociedade colonial e depois, a brasileira, criou sobre os cativos eram oriundas, na realidade, de tempos remotos, dos séculos XV e XVI, quando os europeus e, mais precisamente, os portugueses tiveram os primeiros contatos com o mundo africano.

Todas estas imagens que associavam os negros a seres inferiores, disformes, primitivos e outros adjetivos pejorativos, permaneceram no decorrer do tempo e, ainda no século XIX podiam ser encontradas no discurso cotidiano da população. A longa duração neste caso, é essencial para a percepção desta manutenção de imagens negativas sobre a população negra. É ela que, segundo Vainfas, “...permite acompanhar a lenta maturação das idéias, revelando-nos o movimento, mas também a inércia...”1

É em busca desta maturação das idéias sobre os negros que serão analisados os anúncios de um jornal mineiro intitulado “O Universal”. Os anúncios foram publicados entre 1825 a 1832, perfazendo durante estes sete anos, um total de 65 anúncios. O objetivo neste momento não é fazer um levantamento exaustivo deste tipo de fonte. Na realidade, pretende-se apenas fornecer um pequeno panorama acerca de como esta sociedade lidava com seus escravos fugitivos e, principalmente, identificar através dos anúncios, a visão produzida e perceber a permanência das idéias anteriores na construção de imagens sobre escravos fugidos no decorrer do tempo.

Pode-se dizer que o jornal tem um perfil que tende à crítica ao governo monárquico. São comuns as notícias de Paris e as sátiras ao governo, mostrando suas deficiências e inoperância. Entretanto, as matérias mais agressivas são sempre assinadas por pseudônimos e o jornal faz questão de deixar claro que não tem qualquer tipo de responsabilidade sobre elas.

Os anúncios de escravos fugidos estão colocados, quase sempre, na última página com a caixa e a letra um pouco menor que o do restante do periódico. Eles aparecem com o título “aviso” ou “anúncio”.

Nos 65 anúncios publicados, identificou-se um total de 106 escravos fugidos. Destes, 99 referiam-se a cativos do sexo masculino (93,40%) e apenas 7 eram mulheres (6,60%).

Tabela 1-Distribuição segundo sexo e etnia dos escravos anunciados no “O Universal”

Sexo

africanos

crioulos

total

homens

54

38

99

mulheres

5

2

7

total

59

40

106

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.
Próximo Texto: Escravos, por sexo e raça nos séculos XVIII e XIX.
Texto Anterior: O negro passa a ser visto como indivíduo como forma de identificação.

1 VAINFAS, R. op. cit. p. 21
tabela - O Universal – 1825-1832

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