Acertando as contas com o nosso passado.


Este artigo passou a ser referindo como se fosse fonte de informação para a História do Quilombo do Campo Grande, passou a ser mais uma forja dos falsos pressupostos da interpretação que até hoje os historiadores têm dado à História dos Quilombos do Campo Grande.
Os inimigos da verdade que buscamos por mais de vinte anos, além de serem antigos, sempre estiveram entranhados ao poder reinol mineiro.
Como denúncia da má intenção de se “transformar” o conto Quilombolas Lenda Mineira Inédita em História “Oficial”, pode-se aferir, antes deste conto, às páginas 795-826 da mesma Revista do Archivo Público Mineiro de 1904, a matéria “Questão de limites entre os Estados de Minas e Goiás”, transcrevendo carta-resposta datada do Gabinete do Estado de Minas Gerais em 18 de abril de 1904, onde Francisco Antônio Salles reafirmou e reinventou várias mentiras históricas sobre o Quilombo do Ambrósio ao dr. Xavier de Almeida, Presidente do Estado de Goiás, para justificar o esbulho reinol mineiro de 1815 sobre o Triângulo Goiano que virou Mineiro.
Sobre este conto de Carmo Gama, o real problema está, sim, localizado não só na falsidade dos fatos, mas também na evidência da intenção não-nobre da publicação, como denuncia a seqüência de matérias na mesma revista de 1904. Além do mais, em quê nos ajudaria no entendimento da vida quilombola o estudo de fatos ficcionais?
Precisamos acertar as contas com o nosso passado e com a nossa universidade pública. Ou nunca teremos uma História.


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Comentários

Projeto Partilha disse…
Dr Tarcísio.
Gratidão por sua participação no Projeto Partilha. Como é de seu conhecimento, temos na região dois grandes nomes ligados a causa em questão - QUILOMBOS. Ambos colaboradores nesta página. Aqui, o incansável lutador, Jorge Fernando Vilela, e em Três Pontas, o genealogista e historiador, Paulo Costa Campos. Com profundo respeito de um para com o outro, se entendem dentro das divergências superficiais, em nome do Bem Maior - a defesa da presença de quilombos na região e na luta para que se preserve uma boa imagem de seus integrantes. A eles, CACHOEIRENSES E TRESPONTANOS "tiram o chapéu". Não permitem em hipótese alguma que se denigra a imagem daqueles que, por um motivo ou outro juntaram-se, num local que, por convenção denominamos QUILOMBOS. O Projeto Partilha dentro da lei do Amor Universal e da Fraternidade Cristã junta-se a eles, na defesa da causa. E mais, aqui temos uma forte presença negra como o senhor sabe. Dona AGUIDA, filha de nosso primeiro morador, MANOEL ANTONIO RATES, cuja história buscamos desvendar. Aproveitamos a oportunidade para lhe fazer um pedido em nome da Cultura Regional: caso o senhor tenha informações sobre "os Rattes" ou "os Rates" ou, ainda "os Raty", por favor, nos avise. Um dia iluminado a todos os que, POR AMOR, defendem uma causa. Que todos possam se fortalecer.
leonor rizzi disse…
Um depoimento, que mostra na prática, o quanto o cachoeirense aceita "o elemento negro" na composição de sua sociedade. O Conselho Pastoral Paroquial esteve recentemente com o Sr. Bispo Diocesano entregando-lhe uma carta reivindicatória. A carta foi complementada com dados, através de relato oral feita pelo coordenador do referido Conselho, José Mauro, comerciante local e de tradicional família cachoeirense. A carta solicitava a presença do Pároco numa única Paróquia, no caso, a da MATRIZ DE NOSSA SENHORA DO CARMO. Complementando o que estava escrito José Mauro disse da necessidade de uma presença mais constante e direta, pois o momento é o de formar lideranças comunitárias dentro da Igreja e, olhando para o Sr. Bispo disse mais: "O SENHOR SABE QUAL É NOSSA ORIGEM? - FOMOS FORMADOS A PARTIR DE QUILOMBOS. E tem mais, hoje os jovens são muito bonitos pois, da mestiçagem saem pessoas lindas, moças charmosas".
Como pode se apreender desta fala, numa reunião em Campanha-MG, o preconceito passa longe de CARMO DA CACHOEIRA- MG. Aproveitamos para dizer que temos orgulho da presença de um NEGRO na condução de nossa Paróquia, Padre ANDRÉ LUIZ DA CRUZ. Ele é um líder e respeitado como tal. Embuido da ideia de formação de rebanhos fraternos, e convicto de que essa condução deve ser desvinculada de acordos políticos partidários, segue convicto. É extremamente amado e respeitado por todas as camadas sociais.
Finalizando o depoimento, não podemos deixar de registrar o quanto o trabalho de "formiguinha" de JORGE FERNANDO VILELA repercutiu no entendimento geral da população, quanto essas presenças. Há 20 anos vem ele trabalhando a questão e, conversa daqui, conversa dali, o povo não vê como novidade nenhuma e presença QUILOMBOLA de suas origens.
projeto partilha disse…
SEM PRECONCEITOS. Essa fala vem de nossa querida dona Zilah Reis, octogenária, casada que foi com o Sr. Percy de Oliveira Vilela, ambos de famílias tradicionais da cidade. Ela, através de DOMINGOS DOS REIS E SILVA e ele, ligado nas origens com o ilustre Dr. JOSÉ CONSTÂNCIO D´OLIVEIRA. Pois ela diz com orgulho: "de uma das partes, a da MARIA DO MATO, minha descendência é negra. Ela era tão gorda, que necessitava de ajuda para pentear-se. Não conseguia levantar os braços, no qual era atendida por mucanas".
projeto partilha disse…
Em tempo: Leia-se DR. JOSÉ CONSTÃNCIO DE OLIVEIRA E SILVA. O texto omitiu "E SILVA".
Prezados amigos
Paulo Costa Campos é meu amigo pessoal. Trabalhamos juntos no estudo à localização dos quilombos Três-Pontanos (agora é com hífen), como consta, aliás, do meu livro QCG-História de Minas que se Devolve ao Povo. Por oportuno, tendo esse livro se esgotado em sua versão impressa, nós o disponibilizamos gratuitamente no MGQUILOMBO, basta clicar no link abaixo para obter uma cópia:
http://www.mgquilombo.com.br/download/quilombodocampogrande.pdf
Sobre o tema em discussão, ou seja, a falsificação da História da Confederação Quilombola do Campo Grande, estou para publicar "QCG - Ladrões da História", também com o selo do IHGMG, onde nomeio, um por um, os autores das citadas contrafações históricas, para que nunca mais enganem as nossas crianças.
Um abraço do
Tarcísio.

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