Ausência de uma ermida.



Não há como não estranhar a ausência de uma ermida no sítio Cachoeira, mas entendendo a visão da Igreja que sempre foi cuidadosa em não permitir a influência do material sobre o sacro, e analisando o ambiente que era a casa dos Rates, chegamos ao um entendimento. A presença dos símbolos sagrados não podiam conviver com a situação daquele local, onde as filhas do patriarca possuíam diversos filhos fora de matrimônio, o que contraria as regras da Igreja. Além deste fato o local era um ponto comercial que servia como arranchação, chegando a ser conhecida como Vargem das Boiadas, com a constante presença dos tropeiros e boiadeiros, homens aproveitavam estas paradas para ingerirem as bebidas espirituosas, como eram chamadas em alguns processos canônicos da época.

Com muito amor nos respaldamos no Evangelho de João que nos conta as admiráveis palavras que Jesus disse à samaritina:

Mas a hora virá, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o PAI em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o pai procura. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e Verdade.” (Jô 4, 23-24).

Ouvia-se falar mais para o leste: das fazendas do Engenho de Serra, de Campo Belo, da família Gouveia, do bloco das Abelhas, mais adiante de Baependi. Assim a leste era intensa a movimentação e a presença e grandes engenhos; por sua vez a oeste existiam diversas fazendas; ao norte havia a força do Rio Grande, e ao Sul a iluminada Campanha.

Manoel Antônio Rates e seu sítio Cachoeira, influenciando e sendo influenciado por todos os quadrantes.

Comentários

Projeto Partilha disse…
Se na CASA MATER, junto a CACHOEIRA DOS RATES, não havia ermida dada a especificidade de sua função (rancho de pouso), já na segunda casa - A CASA NOVA DA FAMÍLIA RATES, no ato de sua construção já se pensou em um lugar ESPECIALMENTE CONSAGRADO. O comôdo à direita. Ele não mantinha comumicação com os outros cômodos da casa. Aí era dedicado ao trabalho religioso e onde se guardavam os objetos sacros e paramentos de religiosos. NOSSA querida MARIA PEREIRA (in memoriam) que viveu sua vida toda trabalhando na Matriz de Nossa Senhora do Carmo conta que seu pai, vinha à cavalo do sítio onde morava e pernoitava nesta casa. Abrigo dos padres que passavam pela cidade, e também de pessoas de "confiança", como era o caso de seu pai, um devoto. Recebia apoio ao necessitar ficar no arrail. Dionísia fala que, as roupas usadas pelos antigos padres eram cuidadas com muito zelo e guardas neste cômodo/oratório. Poucos entravam para dar manutenção. Tinha que ser pessoa de confiança. O lugar era Sagrado e respeitado.

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